Orgulho é revolução
Feliz mês do orgulho LGBTQIAP+!
Lembro de, uns 12 anos atrás, ter feito um perfil num site de relacionamento (porque não tinha aplicativo pra isso ainda) lá da gringa e então me registrei como “bissexual” pela primeira vez. Anos se passariam e eu teria dúvidas sobre minha sexualidade novamente, apenas para me firmar tempos depois como bissexual mais uma vez. Acredito que dá pra dizer que essa é realmente a minha sexualidade (até agora).
Ser parte de qualquer sexualidade LGBTQIAP+ é, instantaneamente, um ato de revolução. São pequenas revoluções e ainda assim, que mudam mundos — mesmo que sejam pequenos mundos. Uma revolução pessoal impacta tudo ao seu redor quando você deixa de criar desculpas para se encaixar nos rótulos alheios. Assim como o bater das asas de uma borboleta aqui pode causar um furacão do outro lado do mundo, seu efeito cascata pode mudar o destino de milhares que virão depois de você. Por isso que você, você que me lê, é tão importante.
Qualquer data comemorativa que tenha real importância requere sangue, suor e lágrimas dos que vieram antes, dos pioneiros, para que a comemoração seja possível hoje. Não é diferente com o mês do Orgulho. A sociedade está em processo de aprendizagem contínuo de nos aceitar até hoje porque se fez revolta, porque se lutou contra a opressão em tempos que não são nem tão distantes assim — a Revolta de Stonewall aconteceu em 1969 e repercutiu infinitamente pela história do movimento dos nossos direitos. Apenas sessenta anos atrás tinha quem considerasse homossexualidade uma doença a ser tratada com terapia de choque — na situação menos trágica, era difícil ser abertamente livre sobre sua sexualidade e não ser rechaçado sobre isso.
Atualmente é diferente, você me diz. Evoluímos, mas ainda somos o país que mais mata pessoas dentro do espectro LGBTQIAP+, principalmente pessoas trans. E com isso, para onde foi nossa vontade de fazer acontecer? Às vezes me pego tão presa na minha bolha online onde todos recebem respeito e têm uma diversidade sem tamanho que esqueço que o mundo real pode ser bem diferente, e pode ser seu caso também. O preconceito e as ameaças às nossas vidas são reais e devem ser propulsor, motivação, nunca razão para voltar para dentro do casco.
A luta das pessoas nesse espectro de letras é absolutamente uma luta contra o racismo, contra nosso meio de produção cujo objetivo é explorar e manter oprimida toda e qualquer minoria. As causas se entrelaçam porque são, ultimamente, uma luta contra toda e qualquer forma de opressão. É preciso sim celebrar a beleza do mês de junho pondo a bandeira na frente de casa, seja qual for a sua, seja ela literal ou imaginária. Não mais se acovardar e vestir a pele de quem realmente somos para honrar quem no passado teve que viver nas sombras é a maior das homenagens.
Viver, com propósito e em comunidade, é o ato revolucionário de mais impacto nesse mundo, se algum dia você já sonhou em mudá-lo. Não há ilhas dentro de homens por mais terra que se tente colocar sobre o vasto mar dos nossos sentimentos.




LINDO!